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O Cigarro e o Cérebro

Adolescentes fazem bobagens. Você sabe. Afinal, você já foi adolescente. Talvez você ainda seja. Talvez você esteja fazendo alguma bobagem neste exato momento, enquanto lê este artigo.

Se este for o caso, não se preocupe. As bobagens que cometemos em nossos anos de colegial são, em sua maioria, inofensivas – crimes que prescrevem com o tempo. Ao longo da vida, viram apenas histórias engraçadas, que gostamos de recordar em nossos momentos de maior nostalgia. Outras bobagens, no entanto, podem deixar sequelas para a vida inteira. Acidentes de skate são um exemplo. O cigarro é outro.

Em um estudo recente, pesquisadores da Universidade da Califórnia demonstraram que o cigarro pode fritar o cérebro de jovens fumantes. Especificamente, o tabagismo prejudica o desenvolvimento de uma área conhecida como córtex pré-frontal. Essa área é a parte do nosso cérebro que nos diferencia dos outros animais. É no córtex pré-frontal que planejamos o futuro, tomamos decisões importantes e fazemos contas complexas – enfim, tudo aquilo que o seu cachorrinho não sabe fazer.

Para chegar a essa conclusão, Edythe London conduziu com sua equipe um experimento bastante simples. Cinquenta jovens com idade entre 15 e 21 anos foram recrutados – 25 fumantes e 25 não-fumantes. Os fumantes responderam a um questionário que media a intensidade de seu vício. Em seguida, todos os participantes realizaram um teste de laboratório, enquanto uma máquina de ressonância magnética funcional (fMRI) registrava os níveis de atividade cerebral.

Ao analisar os dados, os cientistas verificaram que o córtex pré-frontal dos fumantes se mostrou menos ativo durante a tarefa do que o córtex dos não-fumantes. Ademais, o grau de entorpecimento pré-frontal estava diretamente relacionado à intensidade do vício medida pelo questionário.

A despeito das diferenças medidas no nível de ativação cerebral, os dois grupos tiveram desempenho semelhante na realização das provas. Aparentemente, o cérebro dos fumantes estava trabalhando para compensar, de alguma maneira, o prejuízo neural provocado pelo cigarro. Em outras palavras, enquanto os fumantes estragavam seus neurônios, o cérebro rebolava para continuar funcionando bem.

Portanto, meu jovem colega, se câncer, impotência sexual, enfisema pulmonar, infarto e mau-hálito não são motivos suficientes para fazer você abandonar o cigarro, fique atento. Um motivo novinho acaba de sair do forno.

E para você, meu amigo não fumante, deixo uma sugestão. Na próxima vez que encontrar um adolescente fumando, não deixe de testar seu desempenho pré-frontal. Voltando-se para ele, diga: “Responda rápido: você não é bom em tomar decisões porque fuma, ou fuma porque não é bom em tomar decisões?”.

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