Os pais-helicóptero

Durante os longos anos em que atuei como psicólogo clínico, muitas vezes atendi adolescentes inseguros, ansiosos e que sofriam de uma profunda falta de autoconfiança. Obviamente, cada caso era um caso, mas havia algo em comum entre eles que eu não pude deixar de notar: quase todos eram filhos de pais superprotetores.

É óbvio que, como pais, nós temos a obrigação de proteger os nossos filhos. O problema surge quando esse cuidado se torna excessivo, e acaba privando-os de experiências e aprendizados que são fundamentais para a sua vida futura.

Quando você atua o tempo todo para evitar que seu filho se frustre, você acaba impedindo que ele aprenda a lidar com a frustração. Quando você atua para evitar que ele fracasse, você está impedindo que ele aprenda a lidar com o fracasso. Quando você atua para resolver todos os seus problemas, você está impedindo que ele aprenda a resolvê-los usando suas próprias habilidades.

Em outras palavras, as experiências das quais os pais estão tentando preservar os seus filhos são, na verdade, benéficas para o seu desenvolvimento.

Na minha Filosofia dos 5 Desafios, eu organizo a vida em 5 etapas. A primeira etapa, que vai do 0 aos 5 anos, é aquela onde a criança aprende a explorar o mundo. Os pais superprotetores aqui podem atrapalhar, pois não permitem que seus filhos explorem com liberdade. A segunda etapa, que vai dos 6 aos 14 anos, é aquela onde a criança deve adquirir autonomia. Aqui os pais superprotetores também atrapalham, pois impedem que os filhos aprendam a se virar sozinhos. A terceira etapa, que ocorre a partir dos 15 anos, é aquela onde os jovens devem aprender a contribuir para a sociedade. Mais uma vez, os pais superprotetores atrapalham, por não permitirem que os filhos descubram quais são seus talentos e competências.

Então, fique atento. Observe se as coisas que você faz pelo seus filhos são realmente necessárias, ou se você está fazendo-as apenas porque tem medo que eles se exponham a situações mais exigentes. Quando você dá um passo atrás e permite que eles resolvam as situações por si mesmos, você mostra que confia na capacidade que eles têm, e estimula o desenvolvimento de um senso de autoconfiança que será muito importante no futuro.